Archive for fevereiro, 2009
Lendo – Crepúsculo
“Minha mente ainda girava tonta, cheia de imagens que eu não conseguia entender e algumas que eu lutava para reprimir. No início, nada parecia claro, mas, à medida que eu me aproximava aos poucos da inconsciência, algumas certezas tornaram-se evidentes. De três coisas eu estava convicta. Primeira, Edward era um vampiro. Segunda, havia uma parte dele – e eu não sabia que poder essa parte teria – que tinha sede do meu sangue. E terceira, eu estava incondicional e irrevogavelmente apaixonada por ele”. (p. 146)

Este é o momento mais importante da trama de “Crepúsculo”, livro de estréia da série escrita por Stephenie Meyer. Nele, a obra deixa de ser uma crônica sobre o cotidiano de uma jovem de 17 anos chamada Isabella Swan na pequena cidade de Forks (Estado de Washington) e passa a ser o retrato de uma história de amor que tinha tudo para ser impossível de ocorrer, mas encontra os seus meios para acontecer, florescer e se fortalecer.
Todos os elementos mais importantes vistos recentemente na adaptação dirigida por Catherine Hardwicke estão aqui no livro: o fascínio que Edward exerce sobre Bella, a busca da jovem por entender o por quê do – inicial – comportamento estranho dele em torno dela, a tentativa da compreensão dos sentimentos dos dois e a luta para encontrar uma maneira de eles viverem aquilo que sentem tão fortemente um pelo outro.
No entanto, a grande diferença do livro em relação à adaptação cinematográfica diz respeito à forma como o relacionamento entre Bella e Edward nos é mostrado. No filme de Catherine Hardwicke, o casal vive um relacionamento mais casto e respeitoso. No livro, por sua vez, Edward e Bella possuem muita intimidade e muita cumplicidade. Temas como a transformação definitiva dela em vampira ou como o afastamento permanente dos dois são tratados com muita clareza e sinceridade entre o par.
Ao se fazer a leitura de “Crepúsculo” dá para se compreender o por quê do livro ter se tornado um fenômeno editorial – foram vendidos mais de 15 milhões de exemplares desta obra em todo o mundo. A autora Stephenie Meyer criou um universo fantástico, porém extremamente crível. Ela desenvolveu muito bem suas idéias, personagens e conflitos. Portanto, terá inúmeras possibilidades de abordagem para fazer com que sua história amadureça e chegue a um clímax que seja inesquecível para os seus leitores.
Crepúsculo (2008)
Autora: Stephenie Meyer
Editora: Intrínseca
Deserto Feliz

Deserto Feliz é o nome de um lugarejo árido e inóspito no sertão pernambucano, e também é o título do último filme dirigido por Paulo Caldas. Nele, acompanharemos a jornada de Jéssica (a estreante Nash Laila), uma jovem de 14 anos, que vive com a mãe e o padrasto na cidade que citamos no início do texto. A vida de Jéssica é cheia de aspectos contrastantes, como mistério e silêncio, sensualidade e ingenuidade, sonhos e realidade.
Na medida em que o roteiro de Paulo Caldas, Marcelo Gomes, Manoela Dias e Xico Sá é desenvolvido, ficamos sabendo que Jéssica é vítima de violência sexual por parte do padrasto. A mãe dela não faz idéia do que acontece dentro de sua própria casa e é justamente para fugir disto que Jéssica pega uma carona com um caminhoneiro e parte para Recife. Na capital pernambucana, para sobreviver, a jovem apela para a única saída que encontra: a exploração de seu corpo, de preferência pelas mãos dos muitos turistas estrangeiros que ali estão.
Se você pensa que “Deserto Feliz” é um filme depressivo, vai ficar bem surpreendido ao notar que, na realidade, a história que ele conta é um tanto otimista. Isto está representado pelo personagem de Peter Ketnath (que é um dos co-produtores do longa). Ele faz Mark, um turista alemão que passa da posição de cliente de Jéssica para namorado dela, uma vez que ele a carrega para a Alemanha. Aqui, a obra começa a falar de um outro tema importante, que são as diferenças culturais (já que a adaptação de Jéssica ao novo país é muito difícil) e a falta de forças da jovem para se dar a oportunidade de encontrar a felicidade ou de fazer algo que seja bom para ela.
Filmado de uma maneira praticamente documental, “Deserto Feliz” é um desafio para a platéia que decidir encará-lo. Toda a obra é calcada em cima dos aspectos contrastantes de Jéssica, especialmente o silêncio. É interessante perceber como a vida dela passa a ser determinada por uma série de acidentes justamente por ela não ter um eixo, ou seja, aquela pessoa que seja franca com ela quando é necessário ser. Por isto mesmo, é importante lembrar, durante toda a duração do longa, que estamos diante de uma adolescente que está tentando encontrar seu caminho na vida e que foi vítima das circunstâncias que experimentou.
Cotação: 7,0
Deserto Feliz (Happy Desert, 2007)
Diretor: Paulo Caldas
Roteiro: Paulo Caldas, Marcelo Gomes, Manoela Dias e Xico Sá
Elenco: Hermila Guedes, Peter Ketnath, Nash Laila, João Miguel, Zezé Motta
O Silêncio de Lorna

As duas palavras mais difíceis para qualquer viciado dizer são: “me ajude”. Este será um clamor repetido à exaustão – e sem sucesso – por Claudy (Jérémie Renier) para sua ex-esposa Lorna (Arta Dobroshi). Fica subentendido que ela não responde aos pedidos do ex-marido porque, provavelmente, já passou por aquela situação com ele muitas vezes e não acredita mais na sinceridade daquele apelo.
Na medida em que a trama de “O Silêncio de Lorna”, filme dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, vai se desenrolando ficamos sabendo que Lorna não vai atender às palavras de Claudy porque tem muito interesse no afundamento total dele nas drogas. Ela precisa ficar viúva urgentemente ou conseguir o divórcio dele para entrar de cabeça no plano armado pelo taxista Fabio (Fabrizio Rongione), o qual quer que ela, em troca de muito dinheiro, se case com um russo para fornecê-lo a cidadania belga – e esta quantia chega em boa hora, afinal Lorna pretende montar uma lanchonete com seu novo amor, Sokol (Alban Ukaj).
Esta situação vivida pela personagem principal é o ponto de partida para a apresentação de uma trama que envolve farsa, ambição e segredos. O silêncio de Lorna é importante para que nada saia fora do planejado e, por isso, os irmãos Dardenne nunca poderiam errar na escalação da sua atriz principal. Arta Dobroshi não decepciona na sua composição da personagem central deste filme. A performance dela é discreta e exala segurança.
No entanto, os irmãos Dardenne erraram em um outro aspecto de “O Silêncio de Lorna”: a edição. Em várias passagens do filme temos um corte brusco e os personagens começam a fazer referências a acontecimentos que não vimos, mas que são muito importantes para o desenrolar da história. Isto não chega a ser um defeito que prejudica demais o longa, mas nos dá a sensação de que estamos sendo deixados de lado de tudo o que está ocorrendo.
Cotação: 7,0
O Silêncio de Lorna (Le Silence de Lorna, 2008)
Diretores: Jean-Pierre e Luc Dardenne
Roteiro: Jean-Pierre e Luc Dardenne
Elenco: Arta Dobroshi, Jérémie Renier, Fabrizio Rongione, Alban Ukaj
Operação Valquíria

No filme “A Queda – As Últimas Horas de Hitler”, do diretor Oliver Hirschbiegel, somos apresentados a um lado que, até então, era desconhecido do final da II Guerra Mundial: como foram os últimos dias de Adolf Hitler no poder, quais eram os seus pensamentos e os da sua equipe de militares e, principalmente, o que o ditador e aqueles que os cercavam estavam sentindo naquele determinado momento.
O longa “Operação Valquíria”, do diretor Bryan Singer, faz um retrato daquele que foi o último dos atentados sofridos por Adolf Hitler, em 1944, a derradeira tentativa de um golpe que o retirasse do poder, na Alemanha. Para tanto, seria utilizado o plano que dá título ao filme. Através dele, seria acionado o Exército da Reserva para defender e, consequentemente, salvar a Alemanha caso Hitler falecesse e outros grupos tentassem tomar o poder para si.
O que o começo desta obra nos mostra é que tirar Adolf Hitler do poder era uma verdadeira missão para um grupo de militares do Reich e pessoas ligadas à oposição ao regime do ditador. No entanto, o que faltava para eles era alguém que possuísse acesso direto à Hitler e que tivesse coragem suficiente para colocar todo o plano deles em prática. Eles irão encontrar esta figura no Coronel Claus Von Stauffenberg (Tom Cruise, também produtor executivo da película), o qual, apesar de ter feito um juramento para ser fiel a Hitler, tem a certeza de que ele deve mais ao seu país (e ele acredita piamente que a Alemanha estava sendo destruída pelos desmandos do ditador).
No geral, “Operação Valquíria” foi uma obra injustamente massacrada pela crítica, especialmente a dos Estados Unidos – país que parece ter perdido a paciência com aquele que, um dia, foi o seu maior astro: Tom Cruise. Este é o melhor filme estrelado pelo ator desde “Colateral”, de Michael Mann. E isto ocorre por causa do diretor Bryan Singer e dos roteiristas Christopher McQuarrie e Nathan Alexander. Eles construíram uma obra que é extremamente tensa do seu início até o seu final e que mostra que, apesar de existirem planos perfeitos, nem sempre os resultados alcançados são aqueles que são esperados.
Cotação: 9,0
Operação Valquíria (Valkyrie, 2008)
Diretor: Bryan Singer
Roteiro: Christopher McQuarrie e Nathan Alexander
Elenco: Tom Cruise, Kenneth Branagh, Bill Nighy, Tom Wilkinson, Carice Van Houten, Thomas Kretschmann, Terence Stamp, Eddie Izzard, Tom Hollander
Divulgado o Teaser Trailer de “Los Abrazos Rotos”
Quando subiu ao palco do Kodak Theater, na noite de ontem, para receber o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, uma emocionada Penélope Cruz falou a respeito daquele que pode ser considerado o mentor da sua carreira: o diretor e roteirista Pedro Almodóvar. E a atriz deve muito à ele, uma vez que foi, através da aclamada performance em ”Volver”, que a espanhola viu sua carreira como atriz mudar por completo e ela passou a ser um nome respeitado e que recebe papéis como os que interpretou em “Vicky Cristina Barcelona” e “Fatal“.
Enquanto outras vencedoras do Oscar, às vezes dão o azar de ter um filme ruim estreando pela primeira vez após vencer o prêmio, Cruz deu muita sorte - afinal seu próximo projeto é “Los Abrazos Rotos” (“Broken Embraces”, na tradução em inglês), que a reune novamente com seu querido Almodóvar.
O longa, que estreia em 18 de Março, na Espanha, conta ainda com muitas caras conhecidas do universo do diretor espanhol, como Lola Dueñas, Rossy de Palma e Blanca Portillo. Veja aqui o teaser trailer de “Los Abrazos Rotos”:


