Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada

dezembro 16, 2008 at 9:56 pm 29 comentários

Quando encontramos Marie (Juliette Binoche) pela primeira vez, no filme, “Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada”, do diretor Peter Hedges, ela está em uma livraria e pensa que Dan Burns (Steve Carell, na melhor performance de sua carreira) é um funcionário do local. Ela começa a descrever para ele o que a levou até ali: a procura por algo que possa ser um atenuante em uma situação que tem potencial para ser constrangedora. O que Marie quer, bem que poderia ser um livro, mas, dentro do contexto em que os personagens se encontram, pode ser entendido de várias formas, como, por exemplo: seria aquilo que ela delineia o tipo de amor que ela sempre quis ter?

 

O filme nos mostrará a resposta para esta pergunta e algo mais: o momento em que um homem vislumbra, pela primeira vez, a chance de deixar para trás quatro anos totalmente miseráveis de sua vida ao reencontrar a sua própria felicidade, na forma do amor que passa a sentir por uma determinada mulher. É interessante perceber que tudo isso acontece numa daquelas situações mais improváveis, quando Dan – um homem viúvo, que vive ao lado de suas três filhas (Alison Pill, Brittany Robertson e Marlene Lawston) – está em uma cidade do interior para uma reunião familiar.

 

Encontros entre membros de uma mesma família podem ser situações bastante desagradáveis. Imagine, então, se você descobre que a mulher que lhe encantou é a namorada de seu irmão mais novo (Dane Cook, no melhor papel de sua carreira)? Imagine, então, que sua filha do meio lhe odeia por você não permitir o namoro dela? Imagine, então, que toda a sua família – na melhor das intenções, diga-se de passagem – tem seu pitaco para dar a respeito de sua vida amorosa praticamente inexistente? Pronto, você está na pele de Dan.

 

O grande charme de “Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada” é justamente a maneira como o roteiro de Pierce Gardner e Peter Hedges trata dos conflitos da vida de Dan, um homem que tem acumulado tudo que sente dentro de si, sem conseguir colocar isso para fora. E falar sobre personagens que estão em busca de algo é uma especialidade do diretor do filme – é só dar uma olhada na sua lista de trabalhos anteriores, que incluem longas como “Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador”, “O Mapa do Mundo”, “Um Grande Garoto” e “Do Jeito que Ela É”. No entanto, com esta obra, Peter Hedges alcança o seu melhor no cinema, uma vez que “Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada” é um filme bem simples, sensível, tocante e que fica conosco após a sessão.

 

Cotação: 9,5

 

Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada (Dan in Real Life, 2007)

Diretor: Peter Hedges

Roteiro: Pierce Gardner e Peter Hedges
Elenco:
Steve Carell, Juliette Binoche, Dane Cook, Dianne Wiest, John Mahoney, Amy Ryan

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29 Comentários Add your own

  • 1. Alyson  |  dezembro 16, 2008 às 10:07 pm

    Nossa, achei que este filme seria um pouco mais cômico, mas pelo o que disse é mais tocante. Mais drama. Mas, sendo de boa qualidade , não importa o gênero, para um admirador do cinema.

    Beijos!

    Responder
  • 2. Kamila  |  dezembro 16, 2008 às 10:25 pm

    Alyson, este filme é um dramedy. Tem momentos muito engraçados, mas tem cenas muito emocionantes. E, se gostas mesmo de filmes de qualidade, irás adorar “Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada”. Beijos!

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  • 3. Hugo  |  dezembro 16, 2008 às 10:46 pm

    Kamila, realmente os roteiros de Peter Hedges para os filmes que você citou tocam muito na questão das relações familiares, principalmente nos problemas.
    Este filme me parece muito interessante e considero Steve Carell um ótimo ator, não apenas comediante, ele já mostrou que pode fazer papéis mais sérios, com pitadas de comédia é claro, como em “Pequena Miss Sunshine”.

    Até mais.

    Responder
  • 4. Gabriel Siqueira  |  dezembro 16, 2008 às 11:27 pm

    Olá Kamila, foi uma grata surpresa encontrar seu blog, e ainda mais agora de casa nova no WordPress. Parabéns, gostei muito.
    Gostaria de saber se podemos trocar links, já que também tenho um projeto no blogspot.com

    Um forte abraço!

    Responder
  • 5. Viviana Ferreira  |  dezembro 16, 2008 às 11:59 pm

    O flor o filme é bom assim? Bem eu amo juliete e elas faz os filmes mais legais hehehe.
    Quanto ao Kevin Kiner nao se culpe, eu tbm nao o conhecia! Claro que, quando soube que ele era o compositor de CSI:Miami (desde o inicio, ele é o compositor oficial mesmo) fiquei mto feliz.
    bjokas,
    vivi

    Responder
  • 6. Hugo Bessa  |  dezembro 17, 2008 às 12:19 am

    Nossa, fiquei interessado pelo filme. Já anotei aqui. Me interessei tb por esse Two Weeks. Só de ver a foto de Sally Field já gostei. Sou um fã dela.
    Abraço

    Responder
  • 7. Marcel Gois  |  dezembro 17, 2008 às 12:20 am

    Nossa, nunca pensei que esse filme fosse tão bom assim!! Até já pensei em assistir, mas sempre acabava escolhendo outro. Fiquei beem curioso agora, hein! Vou tentar assistir esses dias. =)

    Responder
  • 8. Otavio Almeida  |  dezembro 17, 2008 às 12:43 am

    Dizem que é muito bom… E sua crítica me animou.

    Desculpe-me a ausência nos últimos dias, mas estou muito enrolado no trabalho…

    Bjs!

    Responder
  • 9. Mayara Bastos  |  dezembro 17, 2008 às 12:46 am

    Olá, Kamila! Tdo bem?

    Parabéns pelo texto, ele diz exatamente o que filme quer transmitir. E adorei a nota, como adorei o filme, rsrs. Foi uma das surpresas mais agradáveis que tive este ano. Steve Carell é um dos meus comediantes favoritos e neste filme mostrou seu lado “fofo e sensível” e concordo que ele teve a melhor atuação de sua carreira! E vai entrar nos meus melhores de 2008! ;)

    Fique bem, beijos!

    Responder
  • 10. Vinícius P.  |  dezembro 17, 2008 às 1:48 am

    Puxa Kamila, pensei que você tinha gostado muito desse filme mesmo, mas não tanto assim. Na verdade não tive um maior ânimo para procurá-lo, mas acho que farei isso após sua ótima crítica! Gosto de alguns trabalhos do diretor e assistir um filme com o Steve Carell quase sempre é muito bom.

    Responder
  • 11. Pedro Henrique  |  dezembro 17, 2008 às 2:30 am

    Já disse que não gostei muito. Não consegui guardar ele na cachola, mas parece ser um dos melhores do ano na comédia-romântica-dramática para você, não?

    Responder
  • 12. leonardo  |  dezembro 17, 2008 às 5:12 am

    Vejo este filme em cartaz e nunca me atraia. No entanto, só leio resenhas se derretendo por ele. Vou acabar vendo-o…

    Responder
  • 13. João Paulo  |  dezembro 17, 2008 às 11:28 am

    Só não ficou comigo depois da sessão …
    Mas mesmo assim é tão bom de ver ele em uma sessão onde o dia está limpo, o mar está brilhando e blablablablabla

    Com certeza uma pequena perola de 2008 (que deveria ser lançado em 2007). e só aquela frase onde o amor não é um sentimento mas sim uma habilidade, me ganhou de vez.

    PS: o nome fuleragem o nacional … vixi …

    Responder
  • 14. Cassiano Sairaf  |  dezembro 17, 2008 às 1:12 pm

    Vc gostou mesmo desse filme hein Kamila, não sei não, mas só vejo a Binoche de interessante ai!

    Responder
  • 15. Kau  |  dezembro 17, 2008 às 5:37 pm

    Kami, vc viu na HBO?? Bom, quando li seu comentário na comunidade, não achei que sua nota fosse tão alta! É, sem a menor dúvida, o tipo de filme que eu adoro. Fiquei empolgado com um elenco tão talentoso e, ainda, em atuações excelentes.

    Beijos!

    Responder
  • 16. Weiner  |  dezembro 17, 2008 às 5:47 pm

    Foi uma grata surpresa quando eu o assisti, pois não esperava ter a metade da satisfação que tive após o término da sessão. Como você disse, o roteiro é mesmo sublime, um dos melhores do ao, senão o melhor. Fatástica atuação de Carrell, em sim, seu melhor papel. ´
    Incrível! Até na nota concordamos…
    Beijos!

    Responder
  • 17. Robson Saldanha  |  dezembro 17, 2008 às 6:20 pm

    poxa Kami. Fiquei curioso agora!

    Responder
  • 18. Kamila  |  dezembro 17, 2008 às 8:44 pm

    Hugo, exatamente! E o Steve Carell cai como uma luva neste papel. O filme é maravilhoso, muito em parte por causa dele e da Juliette Binoche! Até mais!

    Gabriel, obrigada pela visita, pelo comentário e pelo link. Boa sorte no seu projeto no Blogspot. Abraço!

    Vivi, o filme é maravilhoso e, infelizmente, nem conhecia o Kevin Kiner, porque não assisto “C.S.I. – Miami”, mas, quando pegar o programa no ar, vou ficar de olho na trilha sonora. Beijos!

    Hugo Bessa, “Duas Semanas” é um filme bonito, mas não tem a mesma qualidade que este “Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada”. Sally Field acaba sendo a melhor coisa do primeiro filme. Abraço!

    Marcel, tente assistir mesmo e espero que goste.

    Otavio, fica tranquilo. E o filme é maravilhoso mesmo. Beijos!

    Mayara, tudo bem, obrigada. E com você? O seu comentário também reflete muitos dos meus sentimentos em relação a este filme. Beijos!

    Vinícius, que bom que a crítica fez com que você ficasse com vontade de ver o filme. Era essa a intenção. :-) Se você gosta do diretor e do Carell, vai gostar do que eles fizeram neste filme.

    Pedro, exatamente!!!

    Leonardo, que bom que decidiu assistir ao filme.

    João, a tradução foi horrível mesmo e o filme, para mim, é um dos melhores que vi neste ano. Adorei esta frase que você citou também!

    Cassiano, eu nunca tinha visto a Binoche neste tipo de papel. Ela está adorável, bem simpática!

    Kau, não. Assisti ao filme no cinema mesmo. Espero que consiga assistir ao filme. Beijos!

    Weiner, que bom! :-) Beijos!

    Robson, então vá ao Moviecom assistir ao filme. ;-)

    Responder
  • 19. Matheus  |  dezembro 17, 2008 às 11:26 pm

    Kamila, agora que eu fui ver que esse filme é o tal de “Dan In Real Life”! Depois do seu texto, fiquei muito curioso para conferir o filme!

    Responder
  • 20. Vítor  |  dezembro 18, 2008 às 12:07 am

    Olha que curioso, é a segunda crítica que leio hoje enaltecendo uma performance de Steve Carell. Um amigo comentou em seu blog sobre Agente 86 e disse também que nele está sua melhor atuação. hehe.

    Como não vi nenhum dos dois, fico sem poder dar uma opinião.

    Responder
  • 21. Amauri Terto  |  dezembro 18, 2008 às 1:45 am

    Gostei muito deste filme, principalmente pela afirmação do conceito de família, reunião de pessoas, ainda que resultando em conflitos (porque família é isso). Hoje em dia, fora Natal e Ano Novo, são poucas as ocasiões que as famílias se reunem, para não fazerem nada além de se “curtirem” como família.

    Simples, sútil e sensível. Concordo com suas afirmações. Só achei que o desfecho da questão do irmão foi um pouco infantil (ficando ao fim com a possivel paquera do personagem de Steve Carell só por birra), mas enfim, essa característica torna o roteiro ainda mais semelhante com as resoluções da vida real.

    Parabéns Kamila

    Responder
  • 22. Rafael Carvalho  |  dezembro 18, 2008 às 10:29 am

    Esse é o tipo de filme do qual eu não esperava muita cisa, mas me agradou muitíssimo. É vendido como comédia, mas tem muito mais de drama ali na vida desse personagem. Como você apontou, o roteito aponta direitinhos os problemas da vida de Dan, sabendo lidar de forma bem madura com cada um deles, sem soar falso ou forçado. E de fato, o Carell está ótimo, assim como é sempre um colírio para os olhos ver a Juliette Binoche em cena.

    Responder
  • 23. Kamila  |  dezembro 18, 2008 às 10:42 am

    Matheus, é. O título nacional horroroso engana, concorda??? :-)

    Vítor, o Carell está ótimo em “Agente 86″, mas bem melhor neste filme.

    Amauri, obrigada! Concordo com a primeira parte de seu comentário. O filme realmente reafirma o conceito de família, algo que está muito esquecido atualmente. E eu, desde que vi os olhares cobiçadores do Mitch sobre a personagem da Emily Blunt sabia que ele iria ficar com ela, e os sinais da falta de maturidade do Mitch estão sempre na nossa cara, o tempo todo.

    Rafael Carvalho, concordo totalmente!!

    Responder
  • 24. Romeika  |  dezembro 20, 2008 às 7:12 pm

    Kamila, eu gostei do filme, especialmente da atuacao do Steve Carell, foi um filme divertido, tocante em certos momentos, e q deixa vc com uma boa sensacao ao deixar a sessao. Nao sabia q o diretor tinha dirigido estes filmes! Sao filmes bons, gostei de todos, e ainda prefiro “Um Grande Garoto” a este aqui.

    Responder
  • 25. Kamila  |  dezembro 21, 2008 às 1:51 am

    Romeika, exatamente! Como eu disse ali no texto, acho que este “Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada” é o melhor filme do Peter Hedges.

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  • 26. Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada Dezembro 16, 2008 : namoro  |  dezembro 22, 2008 às 7:55 am

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  • [...] potencial para ser constrangedora. O que Marie quer, bem que poderia ser um Veja o post completo clicando aqui. Post indexado de: [...]

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  • 28. A Sophie do Ano « Cinéfila por Natureza  |  junho 3, 2009 às 1:57 am

    [...] em seu rosto: Alison Pill, de 23 anos, a qual é conhecida pelos papeis em filmes como “Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada” e “Milk – A Voz da [...]

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  • 29. Amor a Toda Prova « Cinéfila por Natureza  |  setembro 29, 2011 às 2:08 am

    [...] interpretar homens com questões amorosas sensíveis (vide também “O Virgem de 40 Anos” e “Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada”); e por mostrar que os homens possuem, sim, um coração por trás de toda aquela fachada dura [...]

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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