2012 Dezembro 2, 2009
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Não existe diretor em Hollywood com maior instinto destrutivo do que o alemão Roland Emmerich. É de sua autoria obras como “Godzilla” e “Independence Day”, dois longas que falam sobre ameaças concretas e externas ao homem. Porém, mais recentemente, o diretor alemão tem falado sobre um dos maiores problemas da nossa sociedade atual: as questões ambientais. “O Dia Depois de Amanhã” falava sobre as conseqüências do efeito estufa e, seu filme mais recente, “2012”, versa sobre desastres naturais causados pelo aumento excessivo da temperatura da terra.
O roteiro escrito por Roland Emmerich e Harald Kloser segue muito bem a cartilha dos filmes-catástrofes. Primeiro, somos apresentados à descoberta de que o aumento da temperatura da terra vai fazer com que o mundo como o conhecemos se acabe no ano de 2012. Segundo, ficamos conhecendo as histórias dos personagens cujos futuros devemos nos preocupar. Terceiro, acompanhamos a luta de todos pela sobrevivência e a impotência deles diante do destino daqueles que não vão conseguir escapar.
No entanto, “2012” encontra o seu melhor momento não com o show de efeitos visuais e sonoros impostos por Roland Emmerich em tela, e sim com a discussão que é feita sobre a maneira como as autoridades políticas do mundo todo lidaram com a descoberta feita pelo Dr. Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofor) e seu amigo Dr. Satnam Tsurutani (Jimi Mistry). Sabe aquela velha pergunta: se o mundo fosse acabar e você pudesse salvar pessoas e coisas, o que escolheria? Então, a solução adotada pelo roteiro para este questionamento é uma das mais interessantes – apesar de ela acabar descambando, no final, para um lado totalmente previsível e que faz de alguns personagens os heróis que eles deveriam ser.
É seguro e nada vergonhoso dizer que “2012” é o melhor filme já feito pelo diretor Roland Emmerich. O diretor soube trabalhar bem com a tecnologia que tinha em mãos e, principalmente, com um roteiro cujo tema principal (o fim do mundo) tem toda uma mitologia em torno dele. Esta é uma obra, basicamente, sobre a humanidade, sobre ter a coragem de fazer o que é certo e de brigar sempre pela nossa espécie.
Cotação: 8,5
2012 (2012, 2009)
Diretor: Roland Emmerich
Roteiro: Roland Emmerich e Harald Klauser
Elenco: John Cusack, Amanda Peet, Chiwetel Ejiofor, Thandie Newton, Oliver Platt, Woody Harrelson, Danny Glover, George Segal, Jimi Mistry
Quatro Amigas e um Jeans Viajante 2 Dezembro 1, 2009
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O filme “Quatro Amigas e um Jeans Viajante”, do diretor Ken Kwapis, se apoiava numa premissa bastante básica: a de que quatro amigas, na iminência da separação, pois cada uma estava terminando o colegial e iria seguir seu próprio caminho em faculdades diferentes, faziam um pacto de se manterem unidas para sempre durante as férias de verão. Neste período, as amigas se encontravam ligadas não só pelo pensamento, mas também pelo uso de uma mesma calça jeans, a qual rodava o mundo vivendo aventuras ao lado de suas quatro donas.
A continuação “Quatro Amigas e um Jeans Viajante 2”, da diretora Sanaa Hamri, nos coloca novamente diante das jovens Tibby (Amber Tamblyn), Lena (Alexis Bledel), Carmen (America Ferrera) e Bridget (Blake Lively). Três anos se passaram desde que as encontramos pela última vez, então, apesar de elas manterem o mesmo pacto de sempre, a gente percebe que a distância afetou a ligação que elas tinham e, em consequência disso, a amizade ficou um pouco diferente – apesar de elas manterem o mesmo carinho de sempre uma pela outra e aquela certeza, bem no íntimo, de que elas estão ali para o que der e vier, independente do que acontecer.
Como aconteceu no primeiro filme, o roteiro é muito generoso no sentido de oferecer às quatro jovens atrizes material suficiente para que as subtramas envolvendo suas personagens consigam prender a nossa atenção. Entretanto, os conflitos que elas vivem são praticamente os mesmos do primeiro longa. Libby continua às voltas com o medo dela de se entregar à felicidade e às pessoas que entram em sua vida. Carmen continua lidando com mudanças ao seu redor. Lena continua com seus desencontros amorosos. Bridget também continua passando pelos mesmos problemas familiares. A calça jeans, agora, coitada, é que sofre com o desdém de suas quatro donas.
Como dá para perceber, originalidade não é o forte desta continuação. Também não ajuda muito ver uma America Ferrera claramente desestimulada em tela – reza a lenda que ela só fez este filme por causa de obrigações contratuais. O que chega a ser impressionante é tentar compreender como este material fraco conseguiu atrair atores do porte de uma Shohreh Aghdashloo e Blythe Danner – e, pior, em papeis em que elas são totalmente desperdiçadas. Para nossa sorte, aparentemente, este é o último filme da série, uma vez que as tramas parecem chegar a uma conclusão.
Cotação: 2,0
Quatro Amigas e um Jeans Viajante 2 (The Sisterhood of the Traveling Pants 2, 2008)
Diretora: Sanaa Hamri
Roteiro: Elizabeth Chandler (com base no livro de Ann Brashares)
Elenco: Amber Tamblyn, Alexis Bledel, America Ferrera, Blake Lively, Rachel Nichols, Rachel Ticotin, Shohreh Aghdashloo, Blythe Danner
Max Payne Novembro 30, 2009
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Apesar de ter uma estética muito parecida com obras do tipo “Sin City – A Cidade do Pecado”, de Robert Rodriguez e Frank Miller, o filme “Max Payne”, do diretor John Moore, é, na realidade, a adaptação de um popular game. Foi justamente este material o escolhido por Mark Wahlberg, ator que entrou para o primeiro time de Hollywood após a indicação recebida ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pela performance em “Os Infiltrados”, de Martin Scorsese, para colocá-lo antenado com uma das novas tendências hollywoodianas: a que põe atores ditos confiáveis em blockbusters.
O filme conta a história de um policial nova-iorquino lotado em uma divisão que investiga aqueles casos que não conseguiram ter sua investigação finalizada (os chamados Cold Cases) e que tem uma única busca: desvendar e vingar o assassinato de sua esposa e filha. Entre a descoberta de uma pista e outra, Max Payne também encontra tempo para inserir novas pessoas em sua vida, como Natasha (a Bond Girl Olga Kurylenko) e a irmã dela Mona (Mila Kunis), bem como o policial Jim Bravura (Chris “Ludacris” Bridges), o qual é o detetive que tenta mostrar para Max quando ele ultrapassa os limites na direção de sua jornada.
Um longa como “Max Payne” precisa de um antagonista poderoso. Neste caso, a investigação do personagem principal o levará diretamente ao encontro de uma grande empresa farmacêutica, chamada Aesir, a qual desenvolve uma pesquisa experimental com soldados norte-americanos. A obra encontra alguns de seus melhores momentos, os quais são repletos de muita ação e suspense, quando aborda Max se aprofundando nos meandros do funcionamento da empresa.
Se existe algo a se celebrar em “Max Payne” é a concepção visual que o diretor John Moore oferece à sua obra. O filme tem uma fotografia brilhante (cortesia de Jonathan Sela) e cria uma Nova York que, a certo ponto, lembra uma cidade futurista. Em outras cenas, Moore se utiliza de recursos que poderiam muito bem ter saído da mente dos irmãos Andy e Larry Wachowski. A questão principal, no entanto, é que nem a embalagem bonita consegue disfarçar aquele que é o maior problema deste longa: o roteiro.
Cotação: 4,0
Max Payne (Max Payne, 2008)
Diretor: John Moore
Roteiro: Beau Thorne (baseado no game de Sam Lake)
Elenco: Mark Wahlberg, Beau Bridges, Mila Kunis, Chris “Ludacris” Bridges, Chris O’Donnell, Nelly Furtado, Kate Burton, Donal Logue, Amaury Nolasco, Olga Kurylenko
Cena da Semana Novembro 29, 2009
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(The Closer Season 4 Rapid Recap – TNT)
Terminei de assistir, neste final de semana, com um ano de atraso, à quarta temporada de “The Closer”, meu seriado favorito da atualidade. Já falei aqui no blog, algumas vezes, o quanto considero a Brenda Leigh Johnson a melhor personagem feminina da TV atual – Patty Hewes que me desculpe. Continuo sem entender o por quê de Kyra Sedgwick ainda não ter conquistado um Emmy de Lead Actress in a Drama Series….
Mas, vamos voltar ao assunto do post. A quarta temporada de “The Closer” gravitou em torno de um tema que é tão abstrato, porém fascinante ao mesmo tempo: “De onde vem a violência? Da natureza ou da criação?”. Essas perguntas são tão abertas e as respostas são tão imprevisíveis – como provam os casos investigados por Brenda e pela sua equipe da Divisão de Homicídios Prioritários (a qual, diga-se de passagem, passou a se chamar Divisão de Crimes Hediondos no final da temporada). Só sei que, a cada novo episódio de “The Closer”, fico mais surpreendida – e chocada - com a obscuridade do ser humano. Somos capazes de coisas horríveis e, pior, de relatar tudo com tanta frieza… Esse é o ponto em que chegamos, infelizmente!
Cinturão Vermelho Novembro 28, 2009
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Para fazer a obra “Cinturão Vermelho”, o dramaturgo, roteirista, diretor e produtor David Mamet mergulhou um pouco em uma arte marcial que, apesar da sua origem japonesa, teve uma ajuda muito importante do Brasil em seu desenvolvimento: o jiu-jitsu. Neste tipo de modalidade esportiva, os lutadores aliam a força à movimentos de pura técnica com o objetivo de derrubar, dominar e submeter o seu oponente a um processo em que ele fique em completo estado de imobilização. É bom dizer que, antes mesmo de pensar em fazer este filme, Mamet já vinha praticando e estudando a arte marcial há aproximadamente seis anos.
A trama de “Cinturão Vermelho” tem como personagem principal Mike Terry (Chiwetel Ejiofor), um mestre do jiu-jitsu que, até agora, apesar das propostas frequentes, conseguiu fugir o máximo que pôde dos circuitos profissionais de luta. Ele vive das aulas que dá na sua própria academia, a qual ensina como a técnica do jiu-jitsu pode ser empregada na defesa pessoal dos alunos. Envolvido em dívidas (grande parte, justiça seja feita, foram adquiridas pela esposa de Mike, a qual é interpretada por Alice Braga) e atormentado por certos acontecimentos, Terry chega a um ponto em que ele tem que repensar a sua decisão inicial.
É aqui que o roteiro de David Mamet começa a explorar uma realidade que não é muito agradável, mas que deve ser bem conhecida das pessoas que fazem parte do mundo das artes marciais e que nos mostram exatamente o por quê de Mike Terry tentar manter a sua pureza diante de tanta sujeira. Acontece que estas competições são controladas pelos dois cunhados de Terry (Rodrigo Santoro e John Machado), os quais não são as pessoas mais confiáveis do universo. Portanto, Mike Terry sempre acaba voltando para o mesmo ponto: se entregar a isso ou não?
Conhecido pelos diálogos ágeis, cheios de estilo e inteligência, David Mamet, em “Cinturão Vermelho”, peca justamente no seu forte: o roteiro. A história de Mike Terry roda, roda e volta sempre pro mesmo lugar. Ou seja, a trama nunca chega a de fato decolar e existem vários personagens, como a advogada interpretada por Emily Mortimer, que são totalmente mal desenvolvidos e que parecem não ter justificativa de existência neste relato. Pelo menos, Mamet consegue nos mostrar bem a essência de Terry: um homem que, claramente, não se adequa, principalmente, às pessoas com as quais escolheu conviver.
Cotação: 3,0
Cinturão Vermelho (Red Belt, 2008)
Diretor: David Mamet
Roteiro: David Mamet
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Alice Braga, Emily Mortimer, Ricky Jay, John Machado, Rodrigo Santoro, Tim Allen, David Paymer, Joe Mantegna, Rebecca Pidgeon, Jennifer Grey, Ed O’Neill


