O Fim da Escuridão fevereiro 9, 2010
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A trama de “O Fim da Escuridão”, a qual foi escrita por William Monahan e Andrew Bowell, é das mais batidas. Mel Gibson volta para a frente das câmeras depois de uma ausência de seis anos para interpretar um policial de Boston cuja única e querida filha (Bojana Novakovic, que se parece muito fisicamente com Carey Mulligan) é brutalmente assassinada. Pensando que, na realidade, ele era o alvo do crime, Thomas Craven começa a investigar as circunstâncias que levaram ao ocorrido.
A partir deste momento já fica na mente da gente alguns furos enormes do roteiro. Os que mais me incomodaram: mesmo sem querer, numa situação como a que Thomas passou, ele deveria tirar uma licença forçada do serviço, entregar seu distintivo e, principalmente, seu porte de armas – não que isso fosse impedi-lo de fazer aquilo que ele tinha que fazer; além disso, a polícia NUNCA deveria somente trabalhar com uma linha de investigação para o assassinato (nesse caso, o alvo ter sido Thomas, ao invés da filha) – a vida de Emma também deveria ser investigada, até porque ela poderia estar envolvida em alguma bela encrenca.
Ainda falando do roteiro de “O Fim da Escuridão”: a investigação de Thomas segue o curso do que é visto em outros filmes recentes do gênero de suspense. Saem os atos de violência fortuitos e entram as conspirações envolvendo grandes corporações e autoridades federais, as quais escondem podres que, se fossem descobertos, ocasionariam escândalos que, neste caso em particular, poderiam ganhar contornos mundiais.
Apesar desses problemas no roteiro, “O Fim da Escuridão” acaba sendo uma experiência cinematográfica assistível por causa da volta de Mel Gibson em um papel que lhe cabe muito bem e, principalmente, porque o diretor Martin Campbell (responsável pela revitalização de James Bond em “007 – Cassino Royale”) sabe conduzir uma trama como essa – preste atenção a algumas cenas surpreendentes, como o atropelamento da amiga de Emma, que é um daqueles momentos em que você, literalmente, pula da cadeira.
Cotação: 6,0
O Fim da Escuridão (The Edge of Darkness, 2010)
Diretor: Martin Campbell
Roteiro: William Monahan e Andrew Bowell (com base na série de Troy Kennedy-Martin)
Elenco: Mel Gibson, Ray Winstone, Danny Huston, Bojana Novakovic, Shawn Roberts, Denis O’Hare
“Alice in Wonderland” no Super Bowl fevereiro 8, 2010
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Para quem vive alheio ao mundo dos esportes, fique sabendo que, na noite de ontem, aconteceu o evento esportivo mais importante do mundo: a 44ª edição do Super Bowl, jogo que equivale à decisão da NFL, liga de futebol americano. Na partida, que foi transmitida pela ESPN, o New Orleans Saints venceu o Indianapolis Colts por 31 a 17, conquistando o primeiro título de sua história – fato que é ainda mais significativo em se tratando de uma cidade que sofreu bastante recentemente com o Furacão Katrina.
Nesta noite, no entanto, o fator esportivo não se caracteriza no papel mais importante, e sim o tanto de dinheiro que gira em torno do evento. Grande parte dele vem das peças publicitárias que são vendidas a preços milionários, então muitos estúdios de cinema aproveitam a oportunidade para fazer um pequeno preview daqueles que serão seus maiores lançamentos em 2010. Nos intervalos da partida de ontem, os norte-americanos foram brindados com propagandas dos seguintes filmes: “Brooklyn’s Finest”, “The Crazies”, “The Wolfman”, “Prince of Persia”, “Robin Hood”, “Cop Out”, “The Last Airbender” e até “Shutter Island”. Aqui, vamos publicar somente um desses comerciais, aquele que mais nos interessa: o de “Alice in Wonderland”, filme de Tim Burton que estreia, nos Estados Unidos, no dia 05 de março. Se divirtam!
Cena da Semana fevereiro 6, 2010
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(Kathryn Bigelow: ABC News Person of the Week – 05.02.2010)
Sem dúvida alguma, a história da semana foi o anúncio dos indicados ao Oscar 2010, na manhã de 02 de fevereiro. Nesse sentido, muito tem se destacado a presença de Kathryn Bigelow entre os indicados. Não só porque a diretora foi responsável por “Guerra ao Terror”, filme que lidera a lista de indicados ao Academy Awards 2010 com 9 menções, junto com “Avatar“; como também pelo fator histórico da sua indicação a Melhor Diretor: ela é a quarta mulher a conseguir este feito e a primeira a chegar com reais chances de vencer o prêmio.
Atualmente, Kathryn é a favorita a vencer a estatueta, entretanto é importante mencionar que, independente do que aconteça na noite do dia 07 de março, fica o registro de que, hoje, ela é um nome consolidado e influente em Hollywood e que acabou se tornando um exemplo para todas as mulheres que desejam ser diretoras e que buscam seu espaço diariamente, na Cidade dos Sonhos. E isto, além de tudo que ela alcançou em 2009-2010, deve ser motivo de extremo orgulho para Kathryn!
Amor sem Escalas fevereiro 5, 2010
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Esqueça o título nacional “Amor sem Escalas” e se fixe no original “Up in the Air”, que significa algo como estar nos ares. Esta é uma maneira perfeita para tentarmos classificar e entender a vida de Ryan Bingham (George Clooney, um ator que é perfeito para este papel), personagem principal do filme dirigido por Jason Reitman. Ele trabalha em uma companhia que realiza demissões em nome de outras empresas e, por causa disso, vive sem ter um eixo – uma vez que a rotina dele é totalmente passada em aviões, aeroportos, hotéis.
O primeiro ato de “Amor sem Escalas” é suficiente para nos fazer compreender que Ryan se sente confortável com este estilo de vida, com o isolamento que tem, com a falta de conexões mais fortes com outras pessoas, com seu inteiro foco no trabalho que realiza e nas metas que ele estabeleceu para si mesmo – destaca-se aqui, por exemplo, o fato de que todos os objetivos de vida dele dizem respeito àquilo com o qual ele está familiarizado. É como se Ryan não conseguisse enxergar uma vida além daquela que ele já conhece.
Todo esse mundo que Ryan Bingham conhece fica meio estremecido quando ele entra em contato com duas mulheres que “ameaçam” a rotina que ele tão cuidadosamente construiu para si mesmo. A primeira delas é Natalie Keener (Anna Kendrick, o sopro de vida do filme), uma jovem que está em ascensão na empresa na qual Ryan trabalha, que passará a ser sua companheira de viagem e uma espécie de pupila. A segunda delas é Alex Goran (Vera Farmiga), a qual é uma Ryan Bingham de saias, alguém que também não tem raízes e que vive pulando de cidade em cidade por causa do seu trabalho.
Tendo como base o livro de Walter Kim, “Amor sem Escalas” é um filme que retrata a chegada de um momento na vida de um homem em que ele tem que decidir entre seguir o caminho que ele já conhece ou ter a ousadia de escolher algo que poderá mudar completamente a existência dele. Também é uma obra sobre prioridades e como elas são determinantes para as decisões que tomamos. Enfim, é uma obra sobre a vida, em que jovens ensinam aos adultos e vice-versa e em que encontramos pessoas que preferem agir ao invés de se arrependerem depois de não terem feito algo – mesmo que isso venha a machucá-las.
Cotação: 9,5
Amor sem Escalas (Up in the Air, 2009)
Diretor: Jason Reitman
Roteiro: Jason Reitman e Sheldon Turner (tendo como base o livro de Walter Kim)
Elenco: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, Melanie Lynskey, J.K. Simmons, Danny McBride, Zach Galifianakis, Chris Lowell
O Desinformante fevereiro 4, 2010
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O diretor Steven Soderbergh já foi considerado o rei do cinema independente e, nas costas dele, foram jogadas grandes expectativas, não só da indústria cinematográfica, como também dos cinéfilos. Entretanto, ao darmos uma olhada em sua filmografia, fica aquela sensação de que a promessa não foi cumprida totalmente e que Soderbergh, em algum momento de sua carreira, se desviou daquele plano que muitos achavam que ele iria seguir – especialmente ao conquistar o Oscar de Diretor por “Traffic”, num ano em que ele ainda entregou “Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento”.
A questão principal é que de diretor de olhar realista, Steven Soderbergh passou a ser um diretor totalmente sem identidade. Ele pode ser o diretor de indústria, que entrega aquilo que é pedido a ele – vide o que foi feito nos filmes da franquia “Onze Homens e um Segredo”; ou ser o diretor que mostra algum resquício daquilo que foi um dia, mesmo assim sem o mesmo brilho de antigamente, na hora que entrega seus projetos pessoais (“Che” e “Che 2 – A Guerrilha”) e/ou experimentais (“Full Frontal” e “Confissões de uma Garota de Programa”).
Em “O Desinformante”, o Soderbergh que se mostra é aquele que emula (para não dizer copiar) o estilo de algum outro diretor – algo que ele fez com Andrei Tarkovsky ao refilmar “Solaris” e com Michael Curtiz ao fazer “O Segredo de Berlim”. Aqui, Steven Soderbergh faz um filme que poderia muito bem ter sido escrito e dirigido pelos irmãos Joel e Ethan Coen, uma vez que “O Desinformante” possui aquele elemento da estupidez dos personagens, do absurdo, do fato de que vemos sendo retratadas pessoas que veem suas precipitadas decisões serem transformadas em eventos que viram uma verdadeira bola de neve e sob a qual elas perderam totalmente o controle.
Baseado em uma história real, “O Desinformante” conta a história de Mark Whitacre (Matt Damon), vice-presidente de uma grande indústria do ramo de agronegócios que vira informante do FBI num caso de investigação corporativa sob o aumento do preço da lisina. Grande parte do barato do longa é acompanhar como Mark vai se enrolando (e, consequentemente, enredando os outros envolvidos) cada vez mais na própria história que cria, porque, no geral, esta é uma obra totalmente maçante e que não causa o impacto que ela esperava direcionar à plateia. Preste atenção somente a isso, à performance de Damon e à música de Marvin Hamlisch.
Cotação: 5,0
O Desinformante (The Informant!, 2009)
Diretor: Steven Soderbergh
Roteiro: Scott Z. Burns (com base no livro de Kurt Eichenwald)
Elenco: Matt Damon, Eddie Jemison, Rusty Schwimmer, Melanie Lynskey, Scott Bakula, Joel McHale, Tony Hale


